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domingo, 11 de julho de 2010

Eu ou Nós? Um mito da comunicação nas organizações

É muito comum ouvir hoje em dia nas empresas a expressão: "Aqui não falamos eu, sempre falamos nós, pois ninguém faz sozinho. Trabalhamos em equipe!”. Será que não há um exagero nisto? Censurar o eu e acreditar que o justo e eficaz é sempre falarmos nós?

Tudo bem que isto possa vir como uma reação a posturas egóicas de falar sempre na primeira pessoa e assumir exclusivamente para si méritos por resultados que foram gerados por um grupo de pessoas, o que além de injusto é desmotivador. O que acontece, porém, ao partir para o extremo oposto, é uma certa confusão na comunicação quando é necessário ter clareza, por exemplo, de quem faz o que para que nossa meta seja atingida. Uma coisa é ter um objetivo comum, ou seja, nossa meta. Outra coisa é na hora de planejar como atingi-la deixar a responsabilidade por cada uma das ações ser sempre nossa, nossa, nossa... Este hábito deixa a responsabilidade pessoal vaga. Pode até se tornar mais confortável, o que diminuiria comprometimento. Corre-se o risco de ter gente demais fazendo algo enquanto outras atividades ficam esquecidas.

No momento de avaliar o desempenho e dar feedback também é importante perceber qual foi o rendimento da equipe e saber a contribuição de cada um de seus membros para repetir os acertos e corrigir as possíveis falhas. A valorização dos méritos em público tende a motivar as pessoas, desde que seja bem conduzida, para evitar mal entendidos e competição dentro do mesmo time. A mudança da estratégia coletiva precisa ser discutida com os envolvidos para que possam se reposicionar e comprometer-se uns com os outros pela sua parcela de dedicação. À medida em que os vínculos vão se fortalecendo e a confiança mútua aumentando vai ficando mais fácil construir tudo isto coletivamente.

No entanto, quando há um problema com um indivíduo e seu líder, ou mesmo um colega, avalia ser mais adequado conversar em particular para não expô-lo diante dos demais, isto pode significar respeito e apoio ao seu desenvolvimento. Feito de uma maneira clara, levará o profissional a refletir: “O que eu posso mudar para que eu tenha um desempenho melhor e possa contribuir de maneira mais eficaz com nossa equipe? Como eu posso ajudá-la a atingir nossa meta? O que eu posso mostrar ao nosso grupo para que nós possamos dar o primeiro passo? O que você pode fazer para que nosso objetivo seja alcançado no prazo?”.

Sem radicalismo pode-se concluir que tem hora para falar nós e hora para falar eu. Assumir o compromisso pela parte que lhe cabe nas suas próprias soluções e dos seus parceiros, sem se culpar nem se sentir vítima, sem idolatrar o outro ou se sentir o único a contribuir no projeto de todos. O desafio é realizar-se vivendo em grupo sem perder a própria individualidade. Amadurecer caminhando junto lembrando-se de quem é.

Escrito por Regina Barreto e publicado no site: http://www.aprenti.com.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=63&Itemid=144